Sunday, August 22, 2010
Escrever. Simplesmente veio-me esta vontade súbita, sem querer, sem ter um motivo, sem saber porquê. Deixo que o lápis deslize livre sobre o papel, rabiscando sentimentos que parecem ter vida própria. São palavras ditadas talvez não pela razão, mas sim pela emoção. E é certo de que mesmo na dissertação mais rigorosa em sua forma, dita perfeita, seu autor teve que incorporar o tema em seu eu para desenvolvê-lo.
Aos poucos as letras se enfileiram, palavras se agrupam de modo ordenado, sem nexo (quem sabe?), mas isso não importa muito agora. Depois de feita a frase, a gramática a corrige. E essa é uma das graças de escrever. Pode-se trocar palavras de posição, frases com novos significados são formadas... que linda é nossa língua! Este não é um manifesto de amor ou paixão à língua portuguesa, não é essa a minha intenção maior. Diria talvez um desabafo. Sim, um desabafo. Eis uma definição ideal. Sinto-me triste quando ouço alguém dizer que “não vê graça” ao ler livros ou que detesta produzir textos: dizem isto porque não descobriram o alívio que traz ao coração o fato de se escrever desenfreadamente tudo que vem dele num pedaço de papel, guardá-lo e, após algum tempo, ao lê-lo, rir de um mal estar passageiro, por exemplo, ou relembrar uma alegre situação. Pode-se escrever um poema, compor uma canção (e estamos tão carentes de belos versos...). Escrever pode ser também um ato de cidadania. É uma forma de dar voz a opiniões, sugerir, criticar, argumentar. Escrever pode transformar palavras soltas no pensamento em lindas declarações de amor. Não se tem notícias de cartas de amor escritas ou recebidas por enamorados nestes últimos tempos. Parece até que elas só existem em certos contos de fada, ou naquelas historinhas super açucaradas que chegam aos nossos ouvidos de vez em quando.
Escrever é lidar com o mundo, é abraçá-lo. É unir, é criar, é fazer arte. É disso que as pessoas se esquecem. Existe uma desvalorização daquilo que preserva e sempre preservou a História da humanidade: a escrita. Se não soubermos quem somos, como iremos nos desenvolver?
Não sei se alguém lerá isto. Desejo que alguém o faça antes desta folha se queimar e virar apenas cinzas, átomos de carbono unidos ainda por alguns instantes antes de se desagruparem com a ação do vento. Desejaria que esta folha caísse nas mãos de uma criança, e na sua inocência infantil , fizesse desta um aviãozinho de papel, daqueles que aprendemos quando pequeninos. E feito isso, que uma leve brisa o carregue até pousar nos olhos de alguém que como eu, ainda acredita no poder das palavras.
14/10/2002
Saturday, August 21, 2010
Me peguei num dilema sobre a definição disso, não literalmente falando, mas em termos pragmáticos mesmo.
Minhas reflexões podem se resumir a:
1) Ser inédito, não significa ter sido o primeiro. Este pode ter várias reedições, assim como aquele, mas o significado deles em cada situação muda. Exemplifico: ao longo da vida, você conversa com muitas pessoas. Certamente, aquela que você encontrará na fila da padaria, não será a primeira com quem você conversou na vida, mas a conversa com ela será a primeira com aquela pessoa e inédita, pois é uma experiência nova, afinal de contas, trata-se de uma pessoa: com seus sentimentos, pensamentos e manias. O resultado disso, pode ser ou não feliz. Depende da vibe de ambas as partes.
2)Defina "primeiro". Pois bem... "Primeiro" é, aquilo que embora não necessariamente inédito na sua vida como um todo, é "inédito" para aquela situação e pessoas envolvidas.
Prolixo e confuso? Talvez.
O que concluí é que, experiências anteriores a algo, fatalmente existirão. Mas que isso não fará que não existam novos "primeiros", novos "inéditos", sobre essas mesmas experiências, porque cada um é cada um e cada situação é uma situação... Ser "primeiro" e "inédito" é algo que já está implícito em qualquer coisa nova. Imagina só que chato seria se tudo fosse igual sempre, com tudo e todos?
No final das contas, estamos cercados de novas descobertas, a todo momento. O verdadeiro desafio é conseguir ser sempre "inédito"... Principalmente quando (e com quem) se ama.
E pra você? O que é ser "inédito"?
Tuesday, August 17, 2010
Composição: Renato Russo
Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor
Wednesday, August 11, 2010
Depois de um mês de julho intenso (de longe, o mais intenso da minha vida), o mês de agosto começou com tudo também.
Na verdade, eu ainda estou me acostumando com uma série de coisas que, ao mesmo tempo que são novidades, parecem fazer parte do meu dia-a-dia a milênios. A situação é um bocado inusitada e podia até me assustar, mas não me assusta (o que, de forma no mínimo interessante, é assustador. Mas não estou falando do sentimento habitual. Estou me referindo ao lado bom e indefinível dele). Complexo? Talvez! A questão é que desejo toda essa "complexidade" a todos aqueles que me são próximos e queridos! Porque como é bom viver e se sentir envolta a esse emaranhado de idéias, sentimentos, sensações.
Quando me falaram: "Agora, você vai ver como tudo fluirá melhor", fui cética, admito. Mas mal passou um mês, e a impressão é a de que um furacão de vibrações excelentes passou por mim.
Hoje, desejo apenas que essa onda de descobertas se renove todos os dias. Que descobrindo algo, esse algo sofra metamorfoses, mesmo que sutilmente, para que algo novo possa ser descoberto novamente.
Agradeço aos Céus por essa benção. Posso falar que, sem dúvida alguma, valeu a pena acreditar que o amor existe e que quando ele é verdadeiro, chega sem pedir licença e sem cerimônias.
Se eu tinha dúvidas se tudo isso é sonho ou realidade, depois desse mês, tenho a certeza de que não é sonho. Fomos agraciados. Mas, se fosse sonho, sem dúvida alguma, jamais iria querer acordar.
Pra ouvir, Los Hermanos "Último romance"... Porque este, definitivamente, é o último e é o que prolongarei para o resto da vida (arrisco dizer que até para além dela)...
